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Os Armarios Vazios
Ernaux, Annie
Fosforo
74,90
Sob encomenda 3 dias
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Em 1974, quase cinquenta anos antes de ser laureada com o prêmio Nobel de literatura, Annie Ernaux publicava seu primeiro romance, uma incursão visceral pela ficção e espécie de gérmen literário de uma escrita que ficaria cada vez mais contida, se tr ansformando no novo gênero que a consagrou. Neste livro, uma jovem de vinte anos, Denise Lesur, acaba de realizar um aborto e rememora a trajetória de sua ascensão de classe, escrevendo cada detalhe com as tintas da bile. Filha de donos de um café-me rcearia, Ninise, como é chamada pelos pais, se vê dividida entre dois mundos e teme que a gravidez indesejada tenha posto tudo a perder. Para além da crise pessoal, o aborto representa uma mancha no mundo burguês, limpo, ordenado e eleg ante, no qual Denise conseguira ingressar depois de muitos anos de escolarização e controle de suas maneiras; é um resquício do meio onde cresceu, um cenário repleto de desejo e vulgaridade. Acreditando ter chegado longe, a protagonista disseca o amb iente popular, as palavras, os modos, as diferenças de uma classe e outra, além da vergonha que sente de seus pais. E se os temas podem parecer semelhantes aos de obras posteriores como O acontecimento , O lugar, A vergonha , o que impre ssiona em Os armários vazios é a linguagem rápida, entrecortada e pulsante, livre de autocensura e que urge em captar todo o vivido para que não seja esquecido, para que a verdade não seja postergada. Nele, tem-se a possibilidade de conhecer Ernaux s em as arestas aparadas. Trata-se da obra que revelou para o mundo o trabalho da autora, o qual, desde então, segue impressionando com todas as suas facetas.
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