Dois clássicos de um pioneiro na literatura de terror no Brasil
Entre tavernas sombrias, pactos e confissões à beira do abismo, nasce uma das obras mais inqui etantes da literatura brasileira. Álvares de Azevedo é um dos autores mais importantes do romantismo brasileiro e um pioneiro na literatura de terror no país. Em breves vinte anos de vida, entre 1831 e 1852, legou-nos clássicos da poesia, do teatro e da prosa de ficção. Com as obras Noite na Taverna e Macário, Az evedo fez experimentos com os gêneros narrativos, explorou temas e formas com ousadia e espírito inovador, superando os limites convencionais e assumindo o risco de desafiar as expectativas dos leitores.
Em Noite na Taverna, cinco homens se reúnem diante de uma mesa e começam a contar histórias macabras. Os contos deste livro são marcados pelo incesto, a necrofilia, o fratricídio, o ca nibalismo, a traição. Na obra, a perversão, o crime e a sexualidade não obedecem a nenhuma norma, e a corda das tensões morais é esticada até o limite da crueldade. Macário, por sua vez, é uma peça de teatro na qual apresenta a história de um estudante que, também em uma taverna, tem um encontro com Satã, que terá influência em todos os aspectos da vida do jovem.
A edição especial da DarkSide® Books conta com uma apresentação dos editores, na qual é ressaltado, entre outras coisas, um aspecto singular da obra de Álvares de Azevedo: “Antes de procurar causar sustos, como é típico do gênero, bu scou expressar a revolta romântica contra a moral convencional e a hipocrisia das convenções sociais ritualizadas. O conjunto de contos e a peça formam uma crítica à ideia de que a literatura deveria funcionar como instância privilegiada de correção moral”.
Seguindo a trilha aberta pela antologia Medo Imortal (DarkSide® Books, 2019), esta edição